Poucos temas despertam tantas opiniões diferentes entre os cristãos quanto o Dia do Senhor. Alguns o tratam como uma obrigação pesada; outros entendem que ele perdeu sua importância ou o reduzem a um dia de descanso e lazer, desde que sobre algum tempo para Deus. Em meio a tantas posições, vale fazer uma pergunta simples: como a Bíblia nos ensina a guardar o Dia do Senhor?
O quarto mandamento não pertence apenas à antiga aliança, mas à lei moral de Deus, que continua orientando a vida do povo de Cristo em obediência, adoração e santidade. Assim como os outros nove mandamentos, este também permanece. Grande parte da discussão surge por causa da palavra sábado, que significa simplesmente “descanso”, e não o nome do sétimo dia da semana em nosso calendário moderno. O mandamento permanece: Deus separou um dia para que seu povo o santifique e nele descanse.
Santificar esse dia significa, antes de tudo, reconhecer que a adoração pública é inegociável. Na antiga aliança, o povo se reunia, convocados, para renovar sua comunhão com Deus, confessar seus pecados, oferecer ações de graças, consagrar-se e aprender sua Palavra. Na nova aliança, fazemos tudo isso por meio de Cristo, não mais com sacrifícios de animais, mas confiando no único sacrifício perfeito do Salvador. Por isso, a igreja se reúne no primeiro dia da semana, o dia da ressurreição de Cristo e do início da nova criação. Nesse dia ouvimos a Palavra, participamos da Mesa do Senhor, aprendemos a vontade de Deus e nos entregamos como sacrifício vivo em adoração. O Dia do Senhor é, acima de tudo, um encontro alegre e obediente com o nosso Rei.
Mas também é um dia de descanso. Descansar não é simplesmente preencher o domingo com entretenimentos, nem permanecer desocupado. É separar esse dia para Deus, removendo, sempre que possível, compromissos que concorram com o culto e com a comunhão da igreja que deve vir em primeiro lugar. Durante seis dias cuidamos de nosso trabalho e de nossos estudos; no sétimo, descansamos dessas atividades e lembramos que não somos escravos da produção, do entretenimento nem da ansiedade. Ao interromper nossa rotina, confessamos que Deus governa o mundo sem depender de nós. Descansamos o corpo e a alma e nos educamos a confiar no Senhor.
Guardar o Dia do Senhor não é um peso, mas um presente. Deus nos convida semanalmente a interromper a correria, reunir-nos com seu povo, renovar nossa esperança em Cristo e encontrar descanso para o corpo e para a alma. Que recebamos esse dia com gratidão, fazendo dele uma alegria e um privilégio na caminhada cristã.
Rev. Günther Nagel